segunda-feira, 2 de julho de 2012

Morte em vida.

  Estou aqui sentada faz não sei quanto tempo. Desliguei o telefone, me enrolei na manta, trouxe a garrafa de uísque e estou bebendo bem devagarinho para não ficar de porre, hoje não, hoje quero ficar lúcida, vendo uma coisa, vendo outra. E tem coisa à beça para ver tanto por dentro como por fora, uma porrada de coisas que comprei, coisas que nem sabia que tinha e que só vejo agora, juto agora que está escuro. É que fomos escurecendo juntos, o quarto e eu.
  Acho que nunca bebi tanto como ultimamente e quando bebo assim fico sentimental, choro à toa. "Meu nome é Idêmia, me diz agora o ectoplasma. Há alguns meses mandei o meu amado e desde então morri."
  Ele era minha juventude, só que naquele tempo eu não sabia, na hora a gente nunca sabe nem pode mesmo saber, fica tudo natural como o dia que sucede à noite, como o sol, a lua, eu era jovem e não pensava nisso como não pensava em  respirar. Alguém por acaso fica atento ao ato de respirar? Fica sim, mas quando a respiração se esculhamba. Então dá aquela tristeza, puxa, eu respirava tão bem...

domingo, 1 de julho de 2012


Já parei de soluçar, já enfiei meu rosto no travesseiro pra ninguém ouvir, pra ninguém acordar, pra eu não precisar contar ainda que a gente não é mais a gente.

Je ne veux pas.


Se amanhecer eu não vou acordar, se eu acordar eu não vou me levantar. Pra quê? Abrir os olhos? Pra quê? Não quero me lavar, escovar os dentes, tomar banho. Pra quê? Me vestir, me arrumar? Não preciso acordar, não preciso mais, não consigo, pra quê? Levantar, não levantar? Que diferença faz? "A gente se vê por aí." Por quê? Por quê? Será que eu levantei todas as manhãs, todos estes meses, só por você? E agora, agora a gente se vê por aí... E eu não consigo nem te odiar direito.