domingo, 25 de março de 2012

Sim, eu vou!

Você vai me chamar e eu não vou ouvir. Eu não vou ouvir o seu grito desesperado quando descobrir que eu e você já deixamos de ser “nós”. E que minutos antes, você também não conseguia me ouvir. Era como se a nossa surdez nos impedisse de ver e sentir qualquer grito mudo em que tantas noites ecoavam no nosso jardim de primaveras. E agora, não é a minha partida que me faz chorar. O que me faz chorar é você ser deixado no meio de coisa nenhuma. E por isso, eu grito as palavras que sempre tive medo de dizer e que agora podem ser ditas: Eu também te amei!

Meu medo

E temi tanto em te contar isso que acabei te perdendo...
Sou uma pessoa insegura, indecisa, sem rumo na vida, sem leme para me guiar: na verdade não sei o que fazer comigo. Sou uma pessoa muito medrosa. Tenho problemas gravíssimos que talvez um dia os conte aqui. E outros problemas, esses de personalidade. Você me quer mesmo assim?
Se quer, não me diga que não lhe avisei. Não tenho qualidades, só tenho fragilidades. Mas às vezes tenho esperança. A passagem da vida para a morte me assusta: é igual como passar do ódio que tem um objetivo e é limitado, para o amor que é ilimitado. Quando eu morrer (modo de dizer) espero que você esteja perto. Você me pareceu uma pessoa de enorme sensibilidade, mas forte.
Você foi o meu melhor presente, mesmo não sendo meu aniversário. Apesar de, sem você saber...

"Tem gente que morre de mágoa, um troço que afeta o coração. Uma porrada de gente morre de ataque cardíaco. E é o coração que mais dói quando as coisas dão errada e se desmoronam."

quinta-feira, 22 de março de 2012

Para ler ouvindo Olhos certos - Detonautas


Deitei mas não dormi, a insônia mais uma vez residia em mim, e juntamente com ela, borboletas no estômago.
Às vezes eu acho que tenho só 12 anos. Que qualquer outra garota da minha idade vai agir diferente. Sentir diferente. Às vezes eu acho que não sei de nada, de nenhum daqueles quilos de livros que eu li quase a minha vida inteira vão poder me explicar o que eu estou passando. Eu tenho a clara certeza de não ter nenhuma certeza.
Acabou. E agora? O que eu vou fazer com essa dor? E os meus sonhos? E a vida inteira, imensa, colorida, que eu tinha sonhado pra nós dois? E agora, meu Deus?
Invoquei os olhos e evoquei o que eu sabia. Pollyanna e o "jogo do contente", Emília e o "pirlimpimpim", a fada madrinha da Cinderela... O faz-de-conta... E a dor ali, teimosa, doendo que doía sem parar.
Ele sabe o que está perdendo. Mas fez a sua escolha. Foi embora.
Não, o que a gente tinha era lindo demais, era muito grande pra se perder...
Chorei caudolosamente. Quem nem rio mesmo.

domingo, 4 de março de 2012

Quantas vezes você já disse para si mesma que não ia chorar, que era mais forte que as lágrimas, e no fim, acabou chorando? Quantas vezes você sorriu para uma pessoa quando por dentro ela estava esfaqueando-a? Quantas vezes você já fechou os olhos, começou a lembrar de momentos e de pessoas? Quantas vezes você já quis matar a distância? Quantas vezes você já decidiu que iria mudar mas no fim acabou não mudando? Quantas vezes você deixou de dormir para ficar pensando em bobagens e montando momentos que você nem sabe se vão acontecer na sua cabeça antes de dormir? Quantas vezes você já disse que naquele dia iria sair e se divertir, mas no fim, ficou em frente ao computador? Quantas vezes você já se irritou, se trancou no seu quarto e começou a socar seu travesseiro até cansar? Quantas vezes você já parou para olhar o céu, e a única coisa que desejou naquele instante foi ter aquela pessoa ao seu lado? Quantas vezes você quis desistir de tudo, mas algo não deixou? Quantas vezes você já sentiu falta de algo que nunca se quer viu? Quantas vezes você já sentiu vontade de fugir, desaparecer totalmente do mundo e da vida das pessoas que te rodeiam, só para ver quem iria atrás de você? Quantas vezes você já se sentiu totalmente destruida por dentro e mesmo assim continuou sorrindo? Quantas vezes você já parou para pensar: “por que as coisas tem que ser assim?” Quantas vezes você ja não quis um tempo do mundo, dormir e nunca mais acordar? Quantas vezes tudo o que você queria era dizer que sentia a falta de alguém, mais o orgulho foi mais forte? Quantas vezes você não já disse um ‘oi’ querendo dizer um ‘eu te amo’? Quantas vezes você ja não correu pra longe de tudo na esperança que alguem corresse atras de você? Quantas vezes você ja se afastou de alguem somente na esperança que ela sentisse sua falta?Quantas vezes você não já disse um ”estou bem” esperando que alguém te dissesse, eu sei que você não está?

Para ler ouvindo Todo o amor que houver nessa vida - Cazuza

Ultimamente ando escrevendo textos desconexos, palavras com sentido nenhum.
Minha sensiblidade incomoda sem ser dolorosa, como uma unha quebrada. E se quisesse podia permitir-me o luxo de me tornar ainda mais sensível, ainda podia ir mais adiante: porque era protegida por uma situação.
Nunca me conformei com o fim de nada e isso vai desde relacionamentos até o fim do dia, porque é no fim do dia que eu percebo o quanto ele me faz falta, o quanto eu o amo.
“Mas agora, sozinha na minha casa, comecei a perceber que o destino pode magoar uma pessoa tanto quanto a pode abençoar, e dou por mim a perguntar-me porque razão - de todas as pessoas do mundo inteiro que alguma vez poderia ter amado - tinha de me apaixonar por alguém que foi levado para longe.''