terça-feira, 30 de agosto de 2011

Pra ler ouvindo Clarisse, Legião Urbana.


E hoje finalmente eu terminei de ler aquele livro, aquele que há dias vinha adiando.
Veronika Decide Morrer, de Paulo Coelho, conta a história da jovem Veronika que tenta suícidio e acaba indo parar num sanatório, e lá, distante do mundo, diante da ânsia da morte que nunca chega, somente lá, reconhece o valor da vida e descobre o verdadeiro amor, a história é muito linda! Ela deveria me fazer pensar no valor da vida, das pessoas que realmente me amam, mas logo eu, a garota que vive tentando suicidar-se, mas que sempre deixa pro dia seguinte, porque não tem coragem o suficiente pra fazê-lo! Logo eu que ando pelos cantos com medo de que as pessoas pudessem ver esse meu lado triste, o lado que eu sempre escondo por trás de um sorriso.
Ultimamente, ando vivendo menos. Sinto que minha vida, minha juventude estão indo embora e eu, pra falar a verdade, não tenho mais nem vontade de vivê-las. A vida social de antigamente, os amigos, tudo ta indo embora também, e pra dizê-lo a verdade, não sinto falta... Ta, só de vez em quando, quando lembro de todas as bebidas, de todos os cigarros, das cinza que junto com elas também iam as minhas, lembro da todas as vezes que voltei pra casa me sentindo vazia e suja por ter dado pra mais um, mas, sabe quando tu já não consegue mais viver por exatamente ter medo do que as pessoas possam fazer com você, com seu coração?
VAZIO, é essa a sensação que eu tenho todos os dias ao acordar, e junto vem a vontade de viver menos, de amar menos, porque eu sempre amo demais, meu defeito é me doar demais e receber de menos... A vida me decepciona, as pessoas me decepcionam, eu sou uma decepção!
"Estou cansado de ser vilipendiado, incompreendido e descartado/Quem diz que me entende nunca quis saber..." Dessa vez, quem canta é o Legião Urbana, e revejo minha vida inteira passar como um flash back. Quando ponho os fones de ouvido, eu esqueço do mundo, das pessoas e até mesmo de mim, do que eu era antes e como eu me tornei hoje. Uma pessoa triste e sem vontade de viver.
Algumas pessoas me falam que eu preciso voltar a gostar de mim mesma, que devo convencer-me de que sou capaz de tomar minhas próprias conclusões. Que eu não posso ser empurrada para coisas que eu não escolhi. Pra mim, a morte na maioria das vezes é uma bênção..

segunda-feira, 29 de agosto de 2011


A dor da sua partida trouxe toda a dor do mundo. De uma só vez. Mas agora já passa da meia noite. Não é mais nosso aniversário de fim e, pra te falar a verdade, eu já não sofro mais o nosso fim faz tempo. E pra te falar ainda mais a verdade, eu acho mesmo que você foi o príncipe que eu esperei a vida inteira. Você chegou e me levou embora. Levou embora a menina que tinha medo de sentir a vida e esperava uma salvação para tudo. Quem sobrou é essa desconhecida que se conhece muito bem em suas bizarrices, lê livros de literatuta, substituiu o bege pela cor do verão, tem uma mãe gente boa ainda que chata, adora os poucos e estranhos amigos, não espera mais pelo cavalo branco mas fica ansiosa pelo início da novela e talvez esteja pronta para amar de verdade. Amar um homem e não um príncipe.

domingo, 21 de agosto de 2011

Amorfílica

É nessas horas de raiva suprema, de ferida que não sara casquinhas que se abrem em trechos sacolejantes, um passo e um ladrilho que balança, nunca firme, que não termina, e a vontade de escrever me toma antes de qualquer necessidade fisiológica, física ou peculiar. Falar já se tornou cansativo, e ouvir os mesmos conselhos, os avisos de "eu te avisei" é a única coisa que abomino, e não tenho necessidade, agora. Acontece que a principal pessoa a enxergar, sentir, capaz de proteger as ilusões, essas tentativas que mesmo intuitivamente sabendo furadas, acreditamos contaminadas – cheias de romances com finais felizes – somos nós; depois de percalços cheios de pedregulhos e penar como que com uma cruz nas costas, arranhando qualquer perdão voluntarioso, pesando enquanto se tenta caminhar rumo à solidez a gente acaba se dando conta de que tudo isso que sucedeu esse tempo todo de chances, desculpas aceitas, esfarrapadas e pela metade, foram pura enganação. Iludir a si mesmo, enfeitar o real com rosa, purpurina e fita mimosa. Não notando que tudo degringola, e se deforma por conta dessa visão que não condiz à realidade.
Uma cega que exita em ver, apalpar a realidade e esquecer na estante os contos dos Irmãos Grimm ou os filmes da Disney. E que Deus propaga o perdão, a aceitação do erro, essas teorias de que rancor faz mal pro coração, na fisiologia humana. Sendo que quase todas as vezes que disse sim, guiada pelo sentimento e a cabeça sendo esquecida, intocada, poucas foram reaproveitadas. Raras, com felizes para sempre. E cansa ser assim ingênua, fervorosa. Vontade de desaprender a digitar, ler, ou ouvir. Lembrar dos conselhos velhos de papai que homem gosta de sofrer, não presta e nem merece ser ouvido. Pisou na bola, é contra-ataque.
Uma fadiga de ser eternamente depositada de litros de uma compaixão imperecível, um estigma de bondade para voltar em triplo e me deixar ser assim molestada, usufruída, desfrutada; afetivamente. Essa auréola visível e que apóstolos de Lúcifer, Satã quem sabe, insistem em tentar retirar e me tatuar algum símbolo de maldade, pessimismo. Partícula de sanguínea, que exala no ar o cheiro da caça, da dor, e da humanidade, para que vampiros sugantes de alma, carinho e leveza me encontrem, feito GPS. Num beco sem saída, sinuca de bico, encruzilhada sem escape e passagem-secreta. E sofro, voltando a me fechar num luto interno, com demoras para recuperação de auto-estima, mil livros e sapatos, em forma de recompensa à esses traumas.
Pressentimentos inaproveitados, onde eu sabia que cairia pela trigésima vez nessa vala funda, e ainda assim quis arriscar, ver aonde ia parar, tentar sair por cima e como mulher equilibrada; todos os ensinamentos em mente, não dando vantagem ao erro, e nem sequer possibilidade. E na verdade, ou se cai bem fundo, tão fundo que não tem volta; e sim, fundição, conexão feita e sucesso êxito. Ou ainda, é apenas mais uma das chances, a tal benevolência, que precisa ser gasta e não encontra indivíduo, objeto, e tento fazer crescer: seja você, ou a nossa situação sem pé nem cabeça. Lugar preenchido, ainda na sua presença, a falta, a falta, a falta.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Meu ódio.


Ódio. Algo quase tão físico como paredes, celulares, ou pessoas - eu quase podia tocar a energia destruidora qua saía do meu corpo. Deixei que o sentimento viesse, sem me preocupar se era bom ou não - bastava de autocontrole, de máscaras, de posturas convenientes.
Recusei-me a ser simpática e conversar com os outros quando queria ficar sozinha, e agora eu era livre o suficiente para sentir ódio - embora esperta o bastante para não começar a quebrar tudo à minha volta.
Odiei tudo o que pude naquele momento. A mim mesma, o mundo, a cadeira que estava na minha frente, as pessoas perfeitas, os criminosos. Estava isolada em meu mundo, mas podia sentir coisas que os seres humanos escondem de si mesmos - porque somos todos educados apenas para amar, aceitar, tentar descobrir uma saída, evitar o conflito. Eu odiava tudo, mas odiava principalmente a maneira como eu conduzira minha vida - sem jamais descobrir as centenas de outras Idêmias que habitavam dentro de mim, e que eram interessantes, loucas, curiosas, corajosas, arriscadas.
Em dado momento, comecei a sentir ódio pela pessoa que mais amava no mundo: minha mãe. A excelente esposa que trabalhava incansavelmente, sacrificando sua vida para que sua filha tivesse uma boa educação, se vestisse como uma princesa, comprasse sapatos e roupas caras, enquanto ela remendava o velho vestido que usava há anos.
"Como posso odiar quem apenas me deu amor?", pensava eu, confusa, e querendo corrigir meus sentimentos. Mas já era tarde demais, o ódio estava solto, eu abrira as portas do meu inferno pessoal. Odiava o amor que me tinha sido dado - porque não pedia nada em troca - o que é absurdo, irreal, contra as leis da natureza.
O amor que não pedia nada em troca conseguia encher-me de culpa, de vontade de corresponder às suas expectativas, mesmo que isso significasse abrir mão de tudo que havia sonhado para mim mesma. Era um amor que tentava me esconder, durante anos, os desafios e a podridão do mundo - ignorando que um dia eu iria me dar conta disso, e não teria defesas para enfrentá-los. E meu pai? Odiava meu pai també, e pra isso não há explicações.
Odiava tudo. A biblioteca com seu monte de livros alheios de explicações sobre a vida, o colégio onde eu fora obrigada a gastar noites inteiras aprendendo matemática...

1/3 de minha dor...


Era verdade que eu levara até as últimas conseqüências muitas coisas em minha vida, mas só o que não era importante - como prolongar brigas que um pedido de desculpas resolveria, ou deixar de ligar para um homem pelo qual estava apaixonada, por achar que aquela relação não ia levar a nada. Fui intransigente justamente naquilo que era mais fácil: mostrar pra mim mesma minha força e indiferença, quando na verdade eu era uma mulher frágil, que jamais conseguira destacar-se nos estudos, nas competições esportivas de minha escola, na tentativa de manter a harmonia em meu lar.
Superei os meus defeitos simples, só pra ser derrotada nas coisas importantes e fundamentais. Conseguia passar a aparência da mulher independentrente, quando necessitava desesperadamente de uma companhia. Chegava nos lugares e todos me olhavam, mas geralmente terminava a noite sozinha, em casa, na frente do computador com um pote de moça fiesta. Dera a todos os meus amigos a impressão de ser um modelo que eles deviam invejar - e gastei o melhor de minhas energias tentando me comportar à altura da imagem que criei para mim mesma.
Por causa disso, nunca me sobraram forças para ser eu mesma - uma pessoa que, como todas as outras do mundo, necessitava dos outros para ser feliz. Mas os outros eram tão difíceis! Tinham reações imprevisíveis, viviam cercados de defesas, comportavam-se também como eu, mostrando indiferença a tudo. Quando chegava alguém mais aberto para a vida, ou o rejeitavam imediatamente, ou o faziam sofrer, consireando-o inferior e "ingênuo".
Muito bem: podia ter impressionado muita gente com minha força e determinação mas aonde havia chegado? No vazio. Na solião completa. Em meu quarto, ao som da Amy.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011



Eu não consigo mais vir aqui e falar tudo que sinto, não mesmo... Ta complicado pra mim, sinto muitas coisas e nenhuma ao mesmo tempo, sinto o mundo inteiro pesando em mim, e sinto principalmente, não sei mais ser eu mesma. Deixei de ser há muito tempo, só agora pude perceber durante a dor de te perder... De te perder pra mim mesma...

Ta tudo tão escuro, tão doloroso, e diante dessa dor, minhas palavras somem.