sexta-feira, 24 de junho de 2011

Aos 22

É... Há dias fiquei mais velha, e é bobagem, porque sempre ficamos mais velhos. A Demii de agora é mais velha que a Demii de dias atrás, que ficou olhando essa folha em branco e pensando no que rabiscar, no que contar, no que gritar. Mais velha a cada segundo. Só que só percebemos quando o ano passa. Quando o aniversário chega. De repente olhamos e pensamos: Passou um ano. Agora, é um a menos e vamos assim, nessa eterna adição e subtração dos anos. Dançando em meio a números que não possuem significado algum. O meu 1 se transformou em 2 tão repentinamente. Segundo minha sábia mãe, 22 anos já é idade pra ter juízo. Logo eu, que não tenho nem cabeça pra certas coisas.
Quando se é criança os aniversários são pra ganhar presentes e festa. Quando se é adulto é pra reflexões inúteis, como essa. Até você perceber quem bom mesmo... É ser criança. Outrora eu chorava porque eu caía demais e ralava o joelho. Hoje eu tenho um coração com feridas que não cicatrizam e não tem sopro de vento que faça parar de arder, como antigos mertiolates.
A questão é... “Eu tenho mais de 20 anos. E eu tenho mais de mil perguntas sem respostas.” Mas, hoje eu vou listar um monte de coisas que aprendi no último ano, desde os 21.
Aos 22 eu sei que chorar não resolve tudo. Chorar não adianta. Eu desidrato e não passa. Mas, às vezes, alivia. Que o tempo nem sempre é o melhor remédio. Às vezes, piora a dor. Como câncer que negligenciando esperando apenas por um milagre.
Aos 22 eu sei que quem te abandonou não te conheceu e quem não te conheceu não poderia ter te amado. E que amor platônico é inversamente proporcional a inteligência.
Aos 22 sei que sou como um espelho despedaçado. A gente pode olhar no fundo dos cacos, mas tudo que ele vier a refletir está como ele próprio, partido em mil pedaços.
Aos 22 eu sei que amar a pessoa errada não é melhor das coisas que possa acontecer na vida. Dante Alighieri esqueceu-se desse círculo no seu inferno. O círculo dos rejeitados. Eternamente atormentados.
Aos 22 eu sei que o começo desse meu amor foi errado: como num problema de matemática, teria que apagar os primeiros cálculos e começar de novo. Mas, cálculos são demasiados penosos e têm coisas que uma borracha não apaga, por estarem marcados a ferro.
Aos 22 eu sei que são poucas as pessoas que mostram no olhar a terra prometida. E pouquíssimas as que nos parecem eternas.
Aos 22 eu sei que é mais cômodo ser amado que amar. E quando você dizia “Eu gosto de você”, eu tinha uma vontade enorme de dizer “E eu te amo”... E daí, residia toda a diferença.
Aos 22 eu sei que nós não erramos necessariamente por amar em demasia uma pessoa, nós erramos em esperar que ela nos ame da mesma maneira.
Aos 22 eu sei que Caio descreveu minha angústia e o esforço em me compensar de alguma forma: “Você vai me abandonar e eu nada posso fazer para impedir. Você é meu único laço, cordão umbilical, ponte entre o aqui de dentro e o de lá de fora. Te vejo perdendo-se todos dias entre essas coisas vivas onde não estou. Tenho medo de, dia após dia, cada vez mais não estar no que você vê. E tanto tempo terá passado, depois, que tudo se tornará cotidiano e a minha ausência não terá nenhuma importância. Serei apenas memória, alivio, enquanto agora sou uma planta carnívora exigindo a cada dia uma gota de sangue seu para manter-se viva. Você rasga devagar o seu pulso com as unhas para que eu possa beber. Mas um dia será demasiado esforço, excessiva dor, e você esquecerá como se esquece um compromisso sem importância. Uma fruta mordida apodrecendo em silêncio no quarto.”
Aos 22 eu sei que daqui a pouco, com mais alguns aniversários eu vou crescer e achar tudo isso meio ridículo... Mas, eu espero ainda achar um pouco da beleza em tudo.
Aos 22 eu sei que as pessoas adoram dizer que você mudou, mas não se importam de perguntar se você teve motivos pra mudar.
Aos 22 eu tenho medo de um dia perder esta capacidade de escrever e, mais que isso, perder este amor imenso que sinto em fazê-lo. De deixar de chorar tantas e tantas vezes enquanto escolho ou leio frases, historias pensamentos... De deixar de sentir realmente tudo o que coloco aqui. De que tanto ser despedaçada, despedace também minha sensibilidade. De que um dia eu não tenha mas o porquê de escrever. Só escrevo pra dá notícias e dispensar afagos. Escrevo porque meus braços não são longos o suficiente para alcançar esse lugar tão distante onde habita.
Aos 22 eu sei que os maiores amores são os não possíveis. Sua extensão está proporcionalmente ligada ao fato de não poder existir, ele precisa ser grande para que em sua extensão abrigue o impossível.
Aos 22 eu sei que só descobre o significado do amor quando a pessoa não está mais ao seu lado. Quando você a sente todos os dias, mesmo ela não estando lá. Quando esta pessoa nos foi levada pela vida, ainda sente-se a presença dela. Quando não se pode mais ver o seu sorriso, mas verdadeiramente, ela nunca parte.

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