quinta-feira, 19 de maio de 2011

Silence...

Mas como era antes o meu silêncio, é o que não sei e nunca soube. Às vezes, olhando um instantâneo tirado numa festa, percebia com leve apreensão irônica o que aquele rosto sorridente e leve me revelava: um silêncio. Um silêncio e um destino que me escapavam, eu, fragmento hieroglífico de um império morto ou vivo. Ao olhar o retrato eu via o mistério. Não. Vou perder o resto do mau gosto, vou começar meu exercício de coragem, viver não é coragem, saber que se vive é a coragem – e vou dizer que na minha fotografia eu via O Mistério. A surpresa me tomava de leve, só agora estou sabendo que era uma surpresa o que me tomava: é que nos olhos sorridentes havia um silêncio como só vi em lagos, e como só ouvi no silêncio mesmo.
Nunca, então, havia eu de pensar que um dia iria de encontro a este silêncio. Ao estilhaçamento do silêncio. Olhava de relance o rosto fotografado e, por um segundo, naquele rosto inexpressivo o mundo me olhava de volta também inexpressivo. Este – apenas esse – foi o meu maior contato comigo mesma? O maior aprofundamento mudo a que cheguei, minha ligação mais cega e direta com o mundo. O resto – o resto eram sempre as organizações de mim mesma, agora sei, ah, agora eu sei. O resto era o modo como pouco a pouco eu havia me transformado na pessoa que tem o meu nome. E acabei sendo o meu nome.

terça-feira, 10 de maio de 2011

O que você nunca vai saber...



E eu fico lá, de frente pro espelho ensaiando os sorrisos que nunca darei, frases que nunca direi, td isso, só pra me sentir melhor, pra me sentir mais eu... Mas não, vc nunca saberá disso, porque não pretendo te contar sobre minhas lutas mentais, da complexidade dos meus pensamentos, minha dualidade ou sobre qualquer sentimento do mundo. Guardo pra mim minhas crises de identidade, a vontade de sumir, a insegurança. Talvez eu te diga algumas vezes sobre minha tristeza.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Entre aspas...

É meio embaraçoso, mas ultimamente minha sensibiliade anda aumentando demais.. Deve ser porque ando perdendo pessoas demais na minha vida e isso é meio triste... A tristeza aumenta de uma maneira estranha.. É uma sensação meio que desagradávael, misturada com vontade de grita, vontade de vomitar, vontade de.. Sumir.. Eu não quero mais isso pra mim.. E sabe, a dor da perda é mil vezes pior que a dor do vazio.. Eu não aguento mais ir e vir da vida das pessoas, ser um símbolo sexual pra alguns, ser a garota insensível pra outros.. Eu cansei tah? Eu não sou assim.. Eu sou meiga e quero alguém de verdade e não um cara que passa uma semana com a menina e já diz que tah apaixonado! Eu me apaixono fácil, sim, mas é que.. Eu tenho um coração, mesmo que partido, mas tenho. Essa insensibilidade é uma arma que uso para as pessoas não se aproximarem de mim, porque sou uma cuzona e disso acho que você já sabe..
Mas eu só queria saber de verdade quando é que eu vou parar de me magoar, quando é que as pessoas vão parar de fazer com que eu me sinta um lixo cada vez que olho pros casais ao lado? Eu CANSEI das pessoas irem e voltando da minha vida... Que que é, pensa que uma estação de trem onde uns partem, uns voltam, mas nuca ficam?
Não é não.. E parem de me machucar!!!



P.S.: Tá meio sem nexo esse post.. Mas é que hj me sinto assim DE NOVO!

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Coração cansado...


Hoje o céu está fosco.
As nuvens estão muito foscas e tristes, e... Tá frio. Faz muito frio... Só uso meu moletom preto com capuz quando faz frio.
Eu preciso de um abraço, eu preciso disso, desesperadamente. Pode alguém roubar a felicidade pra mim? Ou será que ela é apenas mais um infernal truque dos humanos? Meu coração ta cansado.
Existe uma pessoa que mexe comigo. Sempre. É sua única desvantagem. Ele pisoteia meu coração. Ele me faz chorar.
Seu cretino. Seu cretino encantador. Não me faça feliz. Por favor, não me sacie me deixe pensar que alguma coisa boa pode sair disso.
Olhe para meus machucados. Olhe pra este arranhão. Está vendo o arranhão dentro de mim?Está vendo ele crescer bem diante dos seus olhos, me corroendo? Não quero ter esperança de mais nada. Não quero rezar para que você esteja vivo e em segurança. Nem ninguém. Porque o mundo não os merece.
Fico impressionada com o que nós seres humanos somos capazes de fazer, mesmo quando há torrentes a nos descer pelos rostos e nos avançam cambaleando, tossindo e procurando, e encontrando.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Sobre externar minhas emoções...




Eu não ficava à vontade quando se tratava de externar as emoções em voz alta.
Era legal ficar sozinha, sem ter que sorrir e parecer satisfeita; um alívio olhar desanimadamente pela janela para a chuva entristecendo tudo deixar algumas lágrimas escaparem. Eu não estava com vontade de ter um acesso de choro. Ia economizar para a hora de dormir, quando teria que pensar na manhã seguinte.
Eu não me relaciono bem com as pessoas da minha idade. Talvez a verdade seja que eu não me relaciono bem com as pessoas, e ponto final. Até a minha mãe, de quem eu era mais próxima do que qualquer outra pessoa do planeta, nunca esteve em sintonia comigo, nunca esteve exatamente na mesma página. Às vezes, eu me perguntava se via as mesmas coisas que o resto do mundo. Talvez houvesse um problema no meu cérebro.
Mas não importava a causa. Só o que importava era o efeito. E amanhã seria só o começo.