sexta-feira, 25 de março de 2011

Sobre esse desejo que não tem nome...



Fascinada mergulho o corpo no fundo do poço, calo todas as suas fontes e sonâmbula sigo por outro caminho. - Analisar instante por instante, perceber o núcleo de cada coisa feita de tempo ou espaço. Possuir cada momento, ligar a consciência a eles, como pequenos filmanetos quase imperceptíveis, mas fortes. 
Utilizar-se como corpo e alma em proveito do corpo e da alma? Ou transformar sua força em força alheia? Ou esperar que de si mesma nasça, como uma consequência, a solução? Nada posso dizer ainda dentro da forma.
Alegre e plana espero por mim mesma, espero que lentamente me eleve e surja verdadeira diante de meus olhos.
Se desse um grito minha voz receberia o eco igual e indiferente das paredes da terra. Sem viver, coisas eu não encontraria a vida, pois?
O que desejo não tem nome. - Sou pois um brinquedo a que dão corda e que terminada esta não encontrará vida própria, mais profunda. Procurar tranqüilamente admitir que talvez só a encontre se for buscá-la nas fontes pequenas. Ou senão morrerei de sede. Talvez não tenha sido feita para as águas puras e largas, mas para as pequenas e de fácil acesso. E talvez meu desejo de outra fonte, essa ânsia que me dá ao rosto um ar de quem caça para se alimentar, talvez essa ânsia seja uma ideia - e nada mais. Porém - os raros instatntes que às vezes consigo de suficiência, de vida cega, de alegria tão intensa e tão serena como o canto de um órgão - esses instantes não provam que sou capaz de satisfazer minha busca e que esta é sede de todo o meu ser e não apenas uma ideia? Além do mais, a ideia é a verdade! Grito-me. São raros os instantes.

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