segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Minha inspiração que vai e volta, e o quase amor que foi pra não voltar...

    Minha inspiração saiu pra passear e não volta já faz um tempo. Não me preocupo mais, pois sei que ela vai e volta, assim como as ondas, os desejos e as estações. Queria ter essa mesma certeza em relação a alguns sentimentos. Mas sentimentos não são cíclicos, eles têm início, meio e fim. Quem dera os sentimentos fossem como as inspirações saem para respirar novos ares e retornam a todo vapor. Mas os sentimentos têm de ser assim desse jeito torto, aparecendo quando tem vontade e indo embora antes que possamos perceber. A minha inspiração volta um dia desses e me faz escrever feito louca expondo todos os sentimentos e sensações que eu tenho por dentro. Mas não posso dizer o mesmo daquele quase amor que você matou com medo, desinteresse, incerteza e falta de coragem. Você não volta mais pra me fazer rir e flutuar feito uma maluca encantada com o seu sorriso besta. Não volta porque  eu não posso suportar estar com alguém incapaz de tomar uma decisão e mantê-la sem fraquejar. Esse seu medo é sinal de fraqueza, a mesma fraqueza que eu identifiquei com sendo o pior defeito do ser humano. Fique aí com suas dúvidas e suas escolhas pela metade, que eu fico aqui esperando que minha inspiração volte para me contar sobre suas andanças por aí. E esperando também que um novo quase amor apareça e se transforme num amor pleno, forte e com coragem para crescer e me fazer feliz.







quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Exposição de mim...


    Ultimamente tenho tido medo de escrever por causa dessa exposição toda... Todos adoram isso, adoram ler sobre minhas tristezas, alegrias que são cada vez mais raras e aquelas aventuras tolas e descartáveis. E ainda tem aquela sensação de vazio que eu sinto e que nunca passa, mas quase passa todos os dias.
   Mas pra te falar a verdade, eu prefiro ser fútil a ter que ser agradável e não agradar a ninguém. Prefiro ser vadia a ter que ser uma dessas putinhas com cara de anjo que trocam de amores a cada semana. Prefiro ser Eu mesma sempre a ter que trocar de identidade toda vez que encontro alguém diferente pra me divertir um pouco.
    E essa exposição de mim? Que se dane, é assim que sou, é assim que vivo, é assim que morrerei, me expondo!!! E o medo? Ah, o meu medo, eu escondo debaixo do tapete e finjo que não sinto nada, absolutamente nada! 



quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Sentir...



    O que seria então aquela sensação de força contida, pronta para rebentar em violência, aquela sede de empregar-me de olhos fechados, inteira, com a segurança irrefletida de uma fera? Não era no mal apenas que alguém podia respirar sem medo, aceitando o ar e os pulmões? Nem o prazer me daria tanto prazer como o mal, pensava surpreendida. Sinto dentro de mim um animal perfeito, cheio de inconseqüências, de egoísmo e vitalidade.
   Sim, eu sentia dentro de mim um animal perfeito. Repugna-me deixar um dia esse animal solto. Por medo talvez da falta de estética. Ou receio de alguma revelação... Não, não, - repito-me - e preciso não ter medo de criar. No fundo de tudo possivelmente o animal repugnava-me porque ainda havia em mim o desejo de agradar e de ser amada por alguém. Para depois pisar, repudiar sem contemplações. Porque a melhor frase, sempre ainda a mais jovem, era: a bondade me dá ânsias de vomitar. A bondade era morna e leve, cheirava a carne crua guardada a muito tempo. Sem apodrecer inteiramente apesar de tudo. Refrescavam-na de quando em quando, botavam um pouco de tempero, o suficiente para conservá-la um pedaço de carne morna e quieta.

                                                   
                                           

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Espelho...

  Quando me surpreendo ao fundo do espelho assusto-me. Mal posso acreditar que tenho limites, que sou recortada e definida. Sinto-me, espalhada no ar, pensando dentro das criaturas, vivendo nas coisas além de mim mesma.
  Quando me olho no espelho não me assusto porque seja feia ou bonita. É que descubro de outra qualidade. Depois de não me ver há muito quase esqueço que sou humana e sou com a mesma libertação de fim e de consciência quanto uma coisa viva. Minha boca meio infantil, tão certa de seu destino, continuo igual a si mesma apesar de minha distração total. Às vezes, à um olhar constante ao espelho, um sorriso de compreensão para os que me olham. Período de interrogação ao meu corpo, de gula, de sono, de amplos passeios ao ar livre. Até que uma frase, um olhar relembram-me surpresa outros segredos, os que me tornam ilimitada. É a vida? Mesmo assim ela me escaparia. Outro modo de captá-la seria viver. Mas o sonho é mais completo que a realidade, esta me afoga na inocência.
  O que importa afinal: viver ou saber que se está vivendo? - Palavras muito puras, gotas de cristal. Sinto a forma  brilhante e úmida debatendo-se dentro de mim. Mas onde está o que devo dizer? Inspirai-me, eu tenho quase  tudo; eu tenho o contorno à espera da essência; é isso? - O que deve fazer alguém que não sabe o que fazer de si?
   Tudo o que possuo está muito fundo dentro de mim. Um dia, depois de falar, enfim,  ainda terei do que viver? Ou tudo o que eu falasse estaria do outro lado de cá e além da vida?
   No momento em que fecho a porta atrás de mim, instantaneamente me desprendo das coisas. Tudo o que foi distancia-se de mim mergulhando surdamente nas águas longínquas. Mas, mesmo assim, na solitude branca e limitada onde caio, ainda estou presa entre montanhas fechadas. Presa. Ando sobre trilhos invisíveis. Prisão, liberdade. São  essas as palavras que me ocorrem.

                    
                                                 

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

E antes que eu esqueça de mim...

    

     Ainda que sentir da verdade pareça uma outra vida, às vezes cansa viver dentro das coisas que invento. Nada disso me soa banal e aprendi mesmo a chamar de minha vida. E serão dias achando tudo idiota e até mesmo medíocre. E mesmo assim é cheia de dor que carrego minhas horas.
     Como eu queria me vomitar e ensanguentar e explodir e rodopiar em mim até furar o chão como uma broca desgovernada e depois sair derrubando o mundo como o único pião que sabe a verdade e precisa chacoalhar seu entorno pra não enlouquecer sozinha. É loucura tudo. Viver é terrível.
    Eu sou tão errada e cheia de estragos. E por que escrevo? Porque é a minha vingança contra todas as palavras e sensações que morrem todos os dias mostrando pra mim que nada vale de nada. Toma esse texto, é o único lugar seguro e eterno pra mim...


                                                        

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Reticências.

    Eu estava então sozinha? E essa alegria de dor, de aço franzindo minha pele, esse frio que é ciúme, não, esse frio é assim: ah, andaste tudo isso? Pois tens que voltar. Mas dessa vez não recomeçarei, juro, nada reconstruirei, ficarei atrás como uma pedra lá longe, no começo do caminho. Há qualquer coisa que roda comigo, roda, roda, me atordoa, me atordoa e me deposita tranquilamente no mesmo lugar. Quantas vezes terei que viver as memas coisas em situações diversas?
    Ainda sinto saudades que eu não vi, e dos pedaços meus que deixei por aí.
    E eu tive que me fantasiar de puta, só pra ter você aqui dentro sem medo. Medo de destruir mais uma vez esse amor tão santo, tão virgem. E eu vou continuar me fantasiando de não amor, só pra você poder me vestir e sair por aí com  sua casca de não amor. E eu vou rir quando você me contar de suas meninas, e eu vou continuar dizendo: " bonita camisa, boa ideia, bonita cor, bonito sapato". E eu vou continuar sendo só daqui pra fora. 


                                                 

sexta-feira, 27 de agosto de 2010



 Olhe para mim, se importe mais um pouco, porque eu estou despedaçando
    Olhe para mim, me deseje de novo, porque eu estou murchando. Ou apenas venha me distrair...

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Entrelinhas...



Eu gosto sim de você, mais gosto mais de outros garotos e não espero que você entenda, tem alguns garotos que eu gosto mais do que de você e tem um que eu gosto mais que todos, e isso nem eu entendo. Nosso coração sente um monte de coisa desordenada, mesmo eu tenho um coração e razões erradas.
   Não me pergunte porque, eu gosto de você, você gosta de mim, mas falta alguma coisa, ou tem coisa demais, eu não sei, eu fico aqui fingindo que sei de tudo mais eu não sei de porra nenhuma, eu não queria ser assim, eu não queria ser assim, desculpa.
   Eu nunca vou entender porque você é exatamente o que eu quero, eu sou exatamente o que você quer, mas nossas exatidões não funcionam numa conta de mais...

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Me explica?

Como é que se ama em meio às sujeiras e desistências? Como é que se espera alguém voltar do seu mundo particular se eu acabo por conta de um medo absurdo indo para o meu, para não  ter que ver você de longe?

domingo, 11 de julho de 2010

Só falo de mim...


   Só falo de mim com uma condição: tenho que ser eu em todas as dimensões, com todas as emoções a que tenho direito. Só falo de mim, se poder abrir meu coração, não preciso de uma multidão, sei que quando eu falar, algo irei atingir. Só falo de mim diante de testemunhas, muito do que falo, precisa entrar ora história de alguém, a ser copiado, preservado, e cumprido, só falo de mim, se for pra romper tabus, cortar emendas, e estabelecer, nenhuma regra.
   Só falo de mim, se for por inteiro, mas tenho preferência, em quem chegar primeiro, pois o primeiro, será o último... Só falo de mim, se falar de outras pessoas, pois tenho que dizer, quem me atribuísse, o que sou! Só falo de mim se for do lado do avesso. O interesse vai partir, para ver a outra parte de dentro, e que é guardado... Só falo de mim, se for em grandes  partes, tenho uma enciclopédia dentro  de minha alma. Só falo de mim, se você assim permitir, não preciso convencer, eu já sei que aconteço. Só falo de mim, diante de um espelho, minha  imagem reflete o que as vezes nem eu quero ver! Então, já me conheço. E mesmo que eu me esconda, ainda assim, falarei de mim.